16.07 Painel 3: 2003-2013 - A Política Externa Brasileira e a crise internacional

Adhemar S. Mineiro, economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, diretor da Área Internacional e de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e coordenação de Virgínia Barros, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Imagens: Rede TVT.

17.07. Mesa 2: Cooperação internacional para o desenvolvimento (por Bia Ribeiro)

 A Mesa 2: "Cooperação Internacional para o Desenvolvimento" tratou principalmente da cooperação internacional para o desenvolvimento no Brasil, a democratização da política externa e a inserção dos entes federados na atuação diplomática e contou com Iara Leite (Articulação SUL), Letícia Pinheiro (PUC-RJ) e Vicente Carlos y Plá Trevas (Secretário adjunto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro- PUC-RJ).

 Iara Leite  apresentou alguns pontos centrais da pesquisa da Articulação SUL sobre cooperação para o desenvolvimento focando principalmente na modalidade de cooperação técnica, que apesar de não dominar o ranking de cooperação praticada pelo Brasil atualmente é, segundo ela, a que reúne a maior variedade de atores .Iara também ressalta o caráter político das iniciativas de cooperação técnica, elas não são neutras; envolvem e podem ser influenciadas por diversos atores, narrativas, instituições e, portanto interesses diversos. Pontuou a divisão de opiniões sobre a ideia de cooperação norte-sul (cooperação recebida), ora vista com uma carga de "ressentimento" e ligada à prática de ingerência, ora vista como fundamental na construção instituições e agências brasileiras no que se refere a cooperação. A divergência entre a lista de prioridades geográficas do governo brasileiro observada nos dados da ABC no tocante aos parceiros de cooperação técnica e  os acordos e projetos de fato criados, também foi um ponto da fala de Iara.

Letícia Pinheiro  enfatizou o fato de a Política Externa ser – ainda que pareça redundante – uma política, e que possui uma agenda. Nota a participação de diversas agências e ministérios do governo brasileiro em projetos de cooperação internacional e a ampliação da ação ministerial na política externa que as iniciativas cooperação promovem. Letícia afirma que os caminhos que levam a consolidação da democracia na política externa não são lineares e ainda chama atenção para o uso de conceitos como o de “participação”, bastante utilizado nas reflexões sobre o tema, mas que tem significado pouco preciso se não respondemos alguns questionamentos como “participação em que fase do projeto?” “participação de quem?”.

Vicente Trevas  ressaltou a importância de ‘projetar o fazer’. A inteligência, a capacidade de perceber as tendências e as informações de qualidade são fundamentais  para uma politica de cooperação. Trevas colocou a necessidade de se abrir espaco para governos subnacionais, e a relevância atual das cidades na diplomacia brasileira, que passa a se mostrar mais complexa. Estes e outros novos atores devem ser reconhecidos como legítimos, deixando aos poucos a ideia de monopólio do governo central sobre os mecanismos de política externa. Vicente ainda critica a ‘tipologia dos olhos azuis’ que vê a cooperação como uma relação entre doador e receptor, ao invés de uma troca, e destaca a necessidade de colocar a integração regional e a cooperação sul-sul como prioridades da cooperação internacional para o desenvolvimento.

 

Por Bia Ribeiro (graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Campus Marília).

Resumo da mesa 'Cooperação internacional para o desenvolvimento', parte da programação da Conferência Nacional '2003 - 2013: uma nova política externa', ocorrida entre 15 e 18 de julho de 2013 na Universidade Federal do ABC (UFABC).