16.07 Painel 3: 2003-2013 - A Política Externa Brasileira e a crise internacional

Adhemar S. Mineiro, economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, diretor da Área Internacional e de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e coordenação de Virgínia Barros, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Imagens: Rede TVT.

17.07. Mesa 1: Política Externa Brasileira e Defesa (por Luiz F. Franco)

Primeira Exposição, de Roberto Amaral, primeiro vice-presidente e coordenador de Relações Internacionais do Partido Socialista Brasileiro, define Política Externa e Política de Defesa como dois ângulos da base de uma pirâmide, em que o ápice é a sociedade.

O discurso de Roberto Amaral contextualizou o Brasil frente aos desafios e ameaças globais. Primeiro ele expôs sua visão sobre a política externa que pode ser entendida como o soft power, enquanto a política de defesa como de hard power, ambas complementares, ambos levados para fora de seus limites geográficos. Segundo sua visão, o Brasil é um país invejado por suas reservas de combustíveis fósseis, de minérios, e por sua ampla territorialidade altamente produtiva, se constituindo na única grande potência latino-americana. Apesar de não ter inimigos declarados, tem como ameaças uma elite conservadora, e o governo dos Estados Unidos que possuem antipatias com suas políticas desenvolvimentistas aplicadas tanto interna quanto externamente.

“A guerra já começou”, com referência as denúncias de espionagem cibernéticas divulgadas por Edward Snowden, guerra em que ainda não estamos preparados, do mesmo modo como não estávamos preparados em 1914 e 1939, com um porém, desta vez em uma posição diferente frente ao cenário internacional, e medidas eficazes serão tomadas para combater essa ameaça.

André Martin, professor livre docente de Geografia Política da Universidade de São Paulo/USP, prossegue a conferência, apontando como ponto problemático, as relações diplomáticas complexas com os Estados Unidos. Também define como problema, e este é o que ele irá discorrer, a falta de um pensamento geopolítico atual, que se ausenta desde o fim da ditadura militar com a geopolítica golberyana.

Para ele sem uma política exterior clara, não há politica de defesa, que por sua vez inviabiliza uma política de industrialização, consequentemente sem política de logística, tudo isso fruto da falta de uma geopolítica atual.

A geopolítica golberyana se caracterizava pela defesa do ocidente, cristão, ameaçada pelo comunismo ateu, defesa de uma política rodoviária (influenciada pela indústria automobilística norte americana) e políticas que privilegiavam o exército, em detrimento das outras forças armadas. Porém o que ele defende é a necessidade de uma geopolítica antigolberyana, que consiste em defender as relações do hemisfério sul, já que possuímos características que nos desprende da visão ocidental; incentivar os investimentos na marinha, que defenda nosso litoral extremamente desprotegido; e investimentos em outros modais de transporte: ferroviário regional, aeronáutico e fluvial, mais eficientes pelo incremento expressivo da capacidade de carga e agilidade, fora serem . Concluindo seu discurso, ele ressalta que a ameaça não virá por terra, até por conta de nossa aliança com nossos vizinhos, urgindo a necessidade de defesa maritima.

Antonio Jorge Ramalho da Rocha, diretor do Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa, inicia discordando do diálogo de André Martin dizendo que sim, o Brasil possui uma estratégia de defesa definida, o qual ele melhor define no fim de seu diálogo, fazendo primeiro um panorama do cenário mundial.

Internacionalmente falando, os Estados Unidos possuem erros em suas políticas na defesa de seus interesses, pra bem ou pra mal, por exemplo: o único problema do Irã na década de 80 era o Iraque, problema indiretamente solucionado pelos EUA em suas incursões no país árabe desde 2001, que elevou a posição geopolítica iraniana na região a partir de então. Ressalta a fragilidade das instituições internacionais em resolver problemas potencialmente bélicos como na Síria em uma guerra civil já declarada, Coréia do Norte em suas ameaças, entre outras...

Vivemos um processo de restruturação da economia internacional, a qual possui um futuro incerto dos rumos dessas mudanças, mas que aos poucos vem extinguindo a ordem de Brettow Woods, altamente concentradora de poder.
O Brasil tem respondido a esse quadro internacional, incentivando diálogos sobre uma reforma no conselho de segurança; deu uma resposta ao se engajar à agenda internacional de forma ativa e altiva, que apesar da mudança de estilo, com o novo chanceler Patriota, não mudou de direcionamento.

Finalizando a conferência sobre defesa, Antonio Jorge argumenta que o Brasil definiu uma estratégia de defesa em 2005 com a atualização da Política de Defesa Nacional, ampliada em 2008, que trouxe a cooperação regional como um de seus pontos principais, fortalecendo a integração sul-americana, que resultou no Conselho de Defesa Sul-Americano da UNASUL.
Para exemplificar, as operações no Haiti possibilitaram ao Brasil um aprendizado à suas forças armadas, dando um maior grau de interação com seus vizinhos Argentina e Chile.

O modelo brasileiro de suas relações internacionais é de respeito às instituições, a ordem politica, de inclusão social, estabilidade macroeconômica e respeito ambiental.

O engajamento concreto da sociedade como aconteceu nos últimos meses é importante para legitimar políticas brasileiras, e ressalta a profunda mudança na relação entre civis e militares, que hoje possuem uma melhor interação, que derrubou e vem derrubando os preconceitos aos militares do pós-ditadura, que eleva o crédito que a população tem com suas instituições de defesa.

 

 

Por Luiz Fernando Franco (graduando em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Fundação Santo André).

Resumo da mesa 'Política Externa e Defesa', parte da programação da Conferência Nacional '2003 - 2013: uma nova política externa', ocorrida entre 15 e 18 de julho de 2013 na Universidade Federal do ABC (UFABC).