16.07 Painel 3: 2003-2013 - A Política Externa Brasileira e a crise internacional

Adhemar S. Mineiro, economista e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, diretor da Área Internacional e de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e coordenação de Virgínia Barros, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Imagens: Rede TVT.

17.07. Mesa 3: A Política Externa Brasileira e as novas coalizões internacionais (por Prof. José Paulo Guedes Pinto)

A primeira fala da representante da sociedade civil e integrante da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (REBRIP), Graciela Rodriguez, ressaltou a importância das organizações não governamentais tais como ONGs, movimentos sociais, entidades sindicais e associações profissionais autônomas atuarem sobre os processos de integração regional e comércio, inclusive debatendo e pleiteando participação nas diversas novas coalizões internacionais que o Brasil vem sendo protagonista, como o G20 financeiro, o BRICS entre outras.

Ressaltou que uma maior representação dessas entidades favoreceria a construção de uma sociedade mais democrática pautada em um desenvolvimento econômico, social, cultural, ético e ambientalmente sustentável e que reforçaria a postura de buscar alternativas de integração hemisférica opostas à lógica da liberalização comercial e financeira predominante nos acordos econômicos atualmente em curso.
Por fim, mostrou a importância de se articular e divulgar iniciativas sociais frente aos tratados de desregulamentação financeira e comercial, nos quais incluem-se a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outros acordos comerciais bilaterais e entre regiões, como o acordo Mercosul - União Européia (UE).

Na sequência, o embaixador Guilherme Patriota ressaltou a diversidade de atores que participam da política externa brasileira para além do corpo diplomático, como celebridades, empresas, entidades religiosas, academia, mídia em geral, ONGs, cidadãos mobilizados na rede. Frente à esse cenário ressaltou que a única solução para a diplomacia é se abrir, interagir com os novos atores, o que reforça a proposta do GR-RI de reivindicar um espaço que democratize a política externa nacional.

Sobre as novas coalizões, ressaltou que longe de ser um fracasso, os BRICS por si só já são um incômodo para as potências nucleares, deu o exemplo da postura fortemente investigativa da União Europeia durante a conferência dos BRICS na África do Sul, que rejeita , por exemplo, a criação do Banco BRICS por ser uma iniciativa de redução do poder relativo dos europeus no cenário financeiro mundial. Ressaltou ainda que todos os BRICS possuem fortes investimentos na África, espaço de antigas colônias europeias.

Concluiu sua fala dizendo que o Brasil tem um papel fundamental nas novas coalizões pois é um país que está mais avançado na construção de sua sociedade que a China relativamente, pois neste último, a falta de crescimento econômico pode trazer uma instabilidade política e social muito grande.

Por último, a professora Mônica Hirst iniciou sua fala ressaltando o caráter da PEB ativa e altiva e comparando este momento histórico com a PEB independente dos anos 1960 e com a PEB ativa dos anos 1970. A diferença histórica, além dos contextos internacionais diversos é que pela primeira vez o Brasil deixa de se portar como um país isolado (“do bloco do eu sozinho”) que entra e sai das políticas externas para passar a construir e consolidar junto com os outros países posições no cenário externo.

Ressaltou que hoje existe um compromisso muito maior do país com a PEB através também de empresas, agendas econômicas, política e de segurança internacionais. O país tem sido ativo e também propositivo de forma coordenada e progressiva nos últimos anos, aproveitando de forma criativa as conjunturas favoráveis que vem se apresentando.

Umas das experiências bem sucedidas de novas coalizões e que é pouco comentada é o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), que segundo a professora é bem mais fundamental que o BRICS na concertação multilateral.

Finalizou sua fala ressaltando que nos últimos anos o Brasil tem ampliado o léxico que fala de países amigos e que questiona a questão da sua própria soberania e da legitimidade das ações de outros países mais fortes no cenário internacional

No debate se questionou que a ação dos BRICS ainda é limitada, como por exemplo, o porquê o banco dos BRICS não foi criado ainda. Outra questão levantada foi o problema da legitimidade das novas coalizões. A falta de efetividade do G20 financeiro, inchado pelos países europeus foi questionada e afirmada também durante o debate. Viu-se que apenas a mudança das decisões de organismos multilaterais como o FMI e o Banco Mundial seria insuficiente para torná-los mais democráticos, visto que suas burocracias, por exemplo, impões suas ideologias quando limitam a contratação de economistas de faculdades específicas.

 

Por Prof. José Paulo Guedes Pinto 

Resumo da mesa 'A política externa e as novas coalizões internacionais', parte da programação da Conferência Nacional '2003 - 2013: uma nova política externa', ocorrida entre 15 e 18 de julho de 2013 na Universidade Federal do ABC (UFABC).